A ÚLTIMA SEDUÇÃO

27 nov

(não vou reler o texto antes de postar pq senão não postarei, somente pelo motivo que eu odeio laptops e estou diante de um. Meu pc está com defeito e eu estou quase dando um lance numa maquina de escrever no mercado livre – fim do desabafo)

Observe bem este titulo deste filme, qual é a primeira coisa que vem a sua cabeça? Bom, na minha, antes de vê-lo, foi a sessão Intercine dos sábados a noite na Globo ou no máximo um “Corujão”. Mas eu me enganei, quem não viu também se enganou. The Last Seduction (John Dahl, 1994) é um dos melhores filmes noir de todos os tempos e ouso dizer que também é um dos mais desapreciados porem injustiçado,  deveria estar no 10 de todos os críticos nesta década (anos 90) – tudo bem, é uma obra-prima bem atrás de Bons Companheiros, Pulp Fiction e todos os outros que as pessoas nem viram mas dizem que é um dos melhores porque já é clichê.

Alguém que leia a sinopse de Last Seduction pode presumir que o filme não deve passar de um thriller noir como tantos outros com uma historia similar a de Pacto de Sangue. Mas são os detalhes do roteiro e vigor dos personagens que permite desagrega-lo do lugar comum e deixa-lo completamente único. A história é sobre essa filha da puta (pessoal do blog – posso usar palavrões? Bom, não é como se eu fosse publicar isso no NY Times) que trabalha numa companhia de seguros e convence o marido, um médico em decadência (Bill Pullman), a vender drogas no mercado negro, arrecadando uma quantia de 1.000.000 de dólares, o suficiente para fazer qualquer Femme Fatale aceitar levar um tapa do marido numa discussão e fugir sorrateiramente em seguida com a maleta com seu rico conteúdo para uma cidade do interior.

Ao consultar o advogado canastrão a nossa protagonista Bridget- interpretada por Linda Fiorentino – resolve ficar sossegada por algum tempo nessa cidade com o pseudônimo de Kroy, arruma um emprego enquanto seduz todos em sua volta assumindo novamente sua persona diabólica para persuadir seu novo amante (Peter Berg) a fazer coisas que a primeira instância ele recusaria. Mas vocês sabem como é…uma vez na teia da viúva negra não tem saída. E aí a coisa desanda…para as vítimas claro!

Nos estudos dos filmes noir a mulher é sempre retradada nos espelhos de forma a representar suas personalidades. Neste caso, seria Peter Berg uma vítima, com personalidade opaca mas com algo omisso? E sobre a presença feminina na imagem? Fica a deixa para o próximo post...

 

O filme é concebido sem o menor tipo de censura, pouco preocupado com a aceitação dos estúdios e da crítica, o que é raro, principalmente nos anos 90. A pouca interferência dos produtores e destreza e perspicácia com o uso de câmeras do diretor faz o filme fluir junto com as memoráveis atuações, uma das melhores que já vi. Observe o enquadramento logo acima para ter ideia do nivel de criativiade e detalhismo.

Em relação aos personagens, Linda Fiorentino é o tipo de Femme Fatale que se assume desde o começo do filme como tal, aceitando sua condição de libidinosa e manipuladora com o maior prazer. Ela é a mesma do começo ao fim, ardilosa e cruel do começo ao fim, sexualmente promíscua (masturbando seu amante no bar, realizando sexo explicito em plena saída de lugares públicos), repugnante e ao mesmo tempo apaixonante do começo ao fim, brilhante e inteligente do começo ao fim. E o melhor de tudo, seu jeito mórbido de se entreter é tão divertido quanto o de Sharon Stone escrevendo seus livros em Instinto Selvagem.

Em relação aos outros personagens, Bill Pullman é um ótimo antagonista na maneira como ele tenta jogar com as mesmas peças de Linda, rastreando a sua ex-mulher, chegando até a ser um alivio cômico. E o amante Peter Berg que se apaixona perdidamente e rapidamente pela morena  Fatale, é mais reservado, o que equilibra todo este triangulo amoroso, mas Berg oculta um segredo que será usado contra o mesmo com muita astúcia, e vocês já sabem por quem.

Concluindo, espero aos que não tenham visto que percam seus preconceitos mesmo que a sua locadora apenas tenha o filme empoeirado em VHS (eu tive que encomendar um dvd da Austrália só porque era Widescreen, mas eu sou louco mesmo rs; o filme já foi lançado em DVD no Brasil. Enfim,  empolgado por este post, postarei em seguida a FEMME FATALE DA SEMANA. E Caso vejam o filme e discordarem de mim, ficarei muito feliz pois ele estará menos fadado ao esquecimento.

PS: apesar de o filme ter sido prestigiado pelos críticos na época, a sua arrecadação nas bilheterias foi tão ínfima que os produtores resolveram vender às emissoras de televisão antes mesmo da campanha para as principais premiações como o Oscar, o que invalidou a praticamente garantida nomeação de Linda Fiorentino como melhor atriz.

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