Des hommes et des dieux – De deuses e homens.

18 nov

 

Fan Bingbing, a modelo Doutzen Kroutz e a apresentadora de TV Tatiana Laurens antes da exibição de 'Des hommes et des dieux', em Cannes.

Antes de tudo devo declarar que tenho como sonho participar do Festival de Cannes, para mim a mistura perfeita entre o Glamour e a inventividade do cinema. Em especial pois, diferentemente do Oscar, qualquer diretor desconhecido e dos quatro cantos do globo terrestre pode inscrever seu filme e por ele ser selecionado para a mostra. E enquanto o acesso é permitido a todos, também temos o esperado momento mágico do tapete vermelho, quando celebridades desfilam os mais belos vestidos Oscar de la Renta e Armani para o deleite de toda moça cinéfila.
 
  
      Dizem que para alcançar o sonho é preciso ir de vagar, com um passo de cada vez, assim o meu primeiro foi prestigiando com minha amiga Simonetta nossa imitação tupiniquim, o festival de Gramado. Podem dizer que é extremamente mais brega e com qualidade cinematográfica duvidosa, mas também é super divertido, com festas bacanas e com palestras e coletivas abertas a todos. Assim sendo, já demos nosso primeiro passo para quem sabe estarmos em Cannes muito em breve. 

O macaco estava divulgando seu filme em Gramado.

        Ok, voltando ao mundo real, escreverei sobre o fantástico entre “Des hommes et des dieux”, do cineasta francês Xavier Beauvois, premiado neste ano em Cannes com o Grande Prêmio do Júri, uma espécie de segundo lugar honroso. O drama é baseado em fatos reais, ocorridos em 1996, quando um grupo de oito monges franceses viveu o confronto de sua fé nas montanhas da Argélia em domínio muçulmano. 

         O relato é delicado e profundo, quase todo focado nos divergentes pilares da fé de cada um dos monges, cuja difícil decisão de resistir ou não às constantes ameaças de fundamentalistas islâmicos era balanceada pelo instinto vital de sobrevivência.  A relação com a comunidade local traz à tona questões sobre a religiosidade em si em confronto direto com princípios maiores de dedicação ao próximo, e por este rumo vamos percebendo como podemos tirar o melhor de nós mesmos ao passar por momentos de crise e conflito.

          Destaque para a belíssima cena com o “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky em trilha enquanto se foca nos olhos cheios de lágrimas de cada um dos monges. Bonitos momentos também na fotografia e nas interpretações de Michael Lonsdale ( irmão Luc) e Lambert Wilson de Matrix Reloaded ( irmão Christian). Em tempos em que a religião cristã se tornou um pacote de doutrinas e condutas, com os legalismos dos fariseus “convertidos à fé” e os dízimos moldando direitos e recompensas, se torna gratificante encontrar uma reflexão que olhe para o envangelho com a simplicidade da mensagem original de “amor ao próximo como a si mesmo”. Des hommes et des dieux  já é minha aposta para o Oscar de filme estrangeiro, apesar de não saber se será escolhido para estar entre os 5 candidatos, nem seus concorrentes.

Curiosidades:

  • O Festival de Cannes acontece por 12 dias em todo mês de maio;
  • É possível passar pelo tapete vermelho em gramado, só basta comprar o ingresso para a noite da premiação;
  • Pessoas com intenções bacanas desenvolvem trabalhos sérios pelo mundo. Conheça o Projeto Nigéria caso se interesse pelo tema: http://www.caiofabio.net/canal.asp?canal=00028
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3 Respostas to “Des hommes et des dieux – De deuses e homens.”

  1. simonecdias novembro 19, 2010 às 1:01 am #

    Oooohm, que post mais bacana, Hali!

    Quero muito ver esse filme, pois é difícil ver o tema da religião retratado de forma respeitosa, emocionante e inovadora, não reduzindo os religiosos a membros de seita (como a falsa Opus Dei em Código da Vinci) ou a doidos varridos (como o Santinho de A Festa da Menina Morta). Ah, o Chico adiciona à lista de retratos infiéis O Enigma da Pirâmide, com aquela seita bizarra, Indiana Jones e o Templo da Perdição e seus comedores de cérebro de macaco, hihi.

    Claro que existem as leituras mais conservadoras, como Agnes de Deus, O Nome da Rosa, Sonho Proibido (com a Carrie, a Estranha) A Noviça Rebelde (nada a ver)… O fato é que o filme me interessou. E obrigada por citar a Simonetta aqui que foi parceira nos momentos de cinefilia e de tietagem tbém! Hahaha!

  2. Hali novembro 19, 2010 às 12:42 pm #

    Em sua homenagem, minha companheira de viagens, risadas e agora blog! Adoro você, precisamos fazer nossa sessão cinema na atilio borio!

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  1. Woody Allen e Amazon juntos na abertura do Festival de Cannes 2016 | - maio 11, 2016

    […] é lindo, badalado e reúne a indústria cinematográfica por duas semanas. Já comentei em outro post que meu sonho é um dia poder acompanhá-lo presencialmente, conquanto estou me contentando com o […]

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