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FEMME FATALE DA SEMANA (ou A Última Sedução parte 2)

29 nov

PERSONAGEM: Kroy ou Bridget

ATRIZ: LINDA FIORENTINO

Filme: A ÚLTIMA SEDUÇÃO (Last Seduction,  1994), John Dahl, País de origem: Estados Unidos.

A femme fatale desta semana é oriunda de uma idéia do post anterior portanto quem tiver interesse em saber mais sobre o filme em que a nossa mulher-aranha (odeio essa tradução do termo spider-woman mas tbm odeio ser repetitivo com femme fatale o tempo todo!). A nossa Femme Fatale dessa semana tem todas as caracteríscas de uma femme fatale exponencializados em proporções infinitas. Então antes mesmo de eu rever o filme para fazer as estatísticas do números de vitimas e outros elementos, já estou bem curioso em relação aos números.

Quem leu o texto anterior já sabe que o filme se trata de uma mulher sem escrúpulos e estelionataria que rouba todo dinheiro do imoral marido e vai viver reclusa no interior onde seduz mais vitimas e tenta sair ilesa. Todavia, a vida dela consiste em sexo, roubo e sadismo. Não existe pessoas…existe sexo, dinheiro e sadismo. E o que resta pra nós?  Entretenimento escapista da melhor qualidade, arte e beleza. Ah! E o meu desejo de querer ser rico para ser roubado pela Linda Fiorentino.

Gostaria de comunicar a adição da categoria “Que deusa da mitologia grega a personagem seria” e também o diagnóstico realizado cada semana por um convidado especial diferente. Esta semana a Ingrid Bergman direto do filme Quando Fala o Coração, onde atuou como psiquiatra (1945, Hitchcock), aceitou o nosso convite. Vamos aos números!

drink favorito: cerveja com frequência, mas em bares costuma pedir “Manhattan”.

visual: Cabelo castanho, cumprido e liso, saias relativamente curtas, alternando suas roupas com branco e pretos.

sexualidade: Quatro expressivos e explícitos atos sexuais com o amante e outro com um investigador que tenta sequestrá-la a pedido do marido – mas este último é discutível.

hobbie: Linda Fiorentino, personagem Kroy, tem o habitual costume de escrever ao contrário com destreza, ato que faz com frequencia sempre que deixa bilhetes para o marido. Mas o mais curioso é quando ela utiliza a empresa de cartões de crédito onde trabalha para cruzar informações de maridos que tem cartões de crédito no nome de outras mulheres, ou seja, amantes, apenas para avisá-las e suborná-las, até mesmo sugerindo para matar seus maridos por dinheiro e sadismo.

número de assassinatos, vítimas ou casualidades: 2 assassinatos: um a sangue frio, outro parecendo um acidente veicular. A terceira vítima é condenada a prisão.

capital acumulado: cerca de $1.000.000,00 e mais um imóvel no final.

situação final: Kroy (Linda Fiorentina) sai da situação completamente ilesa, impune por seus crimes e roubos. Que astuta essa Femme Fatale!

que deusa mitológica Kroy seria: Afrodite. Deusa do amor, mas também SEDUÇÃO. A deusa provinda do mar traiu seu marido Hefesto e ainda a longo prazo foi responsável pela guerra de Tróia. Nunca perdeu sua posição no Olimpo com seus irmãos, os filhos de Zeus.

Convidada da semana:

Dra. Constance (Ingrid Bergman, Quando Fala o Coração, 1945 – Alfred Hitchcock)

Diagnóstico:  O caso severo da paciente Kroy (Linda Fiorentino) que vem sendo analisada na mesma clínica em que cuido de Gregory Peck sugere uma sociopatia severa cujas análises dos comportamentos compulsivos estão em fase inicial. Os sintomas se agravaram com a proibição dos narcóticos. Seu ex-marido, um doutor, deixou anotações na qual identificava que “Kroy” era “York” ao contrário (sua cidade preferida). Este costume de deturpar a realidade através da escrita pode refletir uma possível esquizofrenia moderada e certamente um transtorno obsessivo compulsivo.

Reveja semanalmente os diagnósticos da FEMME FATALE DA SEMANA para ficar a par da situação dos pacientes em questão.


A ÚLTIMA SEDUÇÃO

27 nov

(não vou reler o texto antes de postar pq senão não postarei, somente pelo motivo que eu odeio laptops e estou diante de um. Meu pc está com defeito e eu estou quase dando um lance numa maquina de escrever no mercado livre – fim do desabafo)

Observe bem este titulo deste filme, qual é a primeira coisa que vem a sua cabeça? Bom, na minha, antes de vê-lo, foi a sessão Intercine dos sábados a noite na Globo ou no máximo um “Corujão”. Mas eu me enganei, quem não viu também se enganou. The Last Seduction (John Dahl, 1994) é um dos melhores filmes noir de todos os tempos e ouso dizer que também é um dos mais desapreciados porem injustiçado,  deveria estar no 10 de todos os críticos nesta década (anos 90) – tudo bem, é uma obra-prima bem atrás de Bons Companheiros, Pulp Fiction e todos os outros que as pessoas nem viram mas dizem que é um dos melhores porque já é clichê.

Alguém que leia a sinopse de Last Seduction pode presumir que o filme não deve passar de um thriller noir como tantos outros com uma historia similar a de Pacto de Sangue. Mas são os detalhes do roteiro e vigor dos personagens que permite desagrega-lo do lugar comum e deixa-lo completamente único. A história é sobre essa filha da puta (pessoal do blog – posso usar palavrões? Bom, não é como se eu fosse publicar isso no NY Times) que trabalha numa companhia de seguros e convence o marido, um médico em decadência (Bill Pullman), a vender drogas no mercado negro, arrecadando uma quantia de 1.000.000 de dólares, o suficiente para fazer qualquer Femme Fatale aceitar levar um tapa do marido numa discussão e fugir sorrateiramente em seguida com a maleta com seu rico conteúdo para uma cidade do interior.

Ao consultar o advogado canastrão a nossa protagonista Bridget- interpretada por Linda Fiorentino – resolve ficar sossegada por algum tempo nessa cidade com o pseudônimo de Kroy, arruma um emprego enquanto seduz todos em sua volta assumindo novamente sua persona diabólica para persuadir seu novo amante (Peter Berg) a fazer coisas que a primeira instância ele recusaria. Mas vocês sabem como é…uma vez na teia da viúva negra não tem saída. E aí a coisa desanda…para as vítimas claro!

Nos estudos dos filmes noir a mulher é sempre retradada nos espelhos de forma a representar suas personalidades. Neste caso, seria Peter Berg uma vítima, com personalidade opaca mas com algo omisso? E sobre a presença feminina na imagem? Fica a deixa para o próximo post...

 

O filme é concebido sem o menor tipo de censura, pouco preocupado com a aceitação dos estúdios e da crítica, o que é raro, principalmente nos anos 90. A pouca interferência dos produtores e destreza e perspicácia com o uso de câmeras do diretor faz o filme fluir junto com as memoráveis atuações, uma das melhores que já vi. Observe o enquadramento logo acima para ter ideia do nivel de criativiade e detalhismo.

Em relação aos personagens, Linda Fiorentino é o tipo de Femme Fatale que se assume desde o começo do filme como tal, aceitando sua condição de libidinosa e manipuladora com o maior prazer. Ela é a mesma do começo ao fim, ardilosa e cruel do começo ao fim, sexualmente promíscua (masturbando seu amante no bar, realizando sexo explicito em plena saída de lugares públicos), repugnante e ao mesmo tempo apaixonante do começo ao fim, brilhante e inteligente do começo ao fim. E o melhor de tudo, seu jeito mórbido de se entreter é tão divertido quanto o de Sharon Stone escrevendo seus livros em Instinto Selvagem.

Em relação aos outros personagens, Bill Pullman é um ótimo antagonista na maneira como ele tenta jogar com as mesmas peças de Linda, rastreando a sua ex-mulher, chegando até a ser um alivio cômico. E o amante Peter Berg que se apaixona perdidamente e rapidamente pela morena  Fatale, é mais reservado, o que equilibra todo este triangulo amoroso, mas Berg oculta um segredo que será usado contra o mesmo com muita astúcia, e vocês já sabem por quem.

Concluindo, espero aos que não tenham visto que percam seus preconceitos mesmo que a sua locadora apenas tenha o filme empoeirado em VHS (eu tive que encomendar um dvd da Austrália só porque era Widescreen, mas eu sou louco mesmo rs; o filme já foi lançado em DVD no Brasil. Enfim,  empolgado por este post, postarei em seguida a FEMME FATALE DA SEMANA. E Caso vejam o filme e discordarem de mim, ficarei muito feliz pois ele estará menos fadado ao esquecimento.

PS: apesar de o filme ter sido prestigiado pelos críticos na época, a sua arrecadação nas bilheterias foi tão ínfima que os produtores resolveram vender às emissoras de televisão antes mesmo da campanha para as principais premiações como o Oscar, o que invalidou a praticamente garantida nomeação de Linda Fiorentino como melhor atriz.

Femme Fatale da Semana

18 nov

PERSONAGEM: Christine

Filme: O Quarto Homem (De Vierde Man, Paul Verhoeven, 1983). País de origem: Holanda.


Antes de tudo, gostaria de recomendar a quem nao viu esta obra-prima de Paul Verhoeven, realizada antes do grande diretor de Instinto Selvagem e Vingador do Futuro deixar a Holanda, seu país de origem.

Perfil da personagem: A ardilosa Christine é metaforicamente já retratada no início do filme como uma literalmente viúva-negra a caminho de sua presa, em contraste com as aparições oníricas de Maria – sim, a mãe de Jesus – por parte do protagonista. Este último, Gerard, um escritor obcecado por idéias de morte que sofre de constantes alucinações sejam elas de caráter mórbido ou religioso e, apesar de sua homossexualiadade, é seduzido pela rica viúva Christine durante uma de suas palestras e é persuadiado por uma chantagem emocional a passar uns dias na mansão desta Femme Fatale. Misteriosamente Christine já teve três maridos “falecidos”, seria Gerard O Quarto Homem? Enfim, vamos logo com as estatísticas:

drink favorito: Bloody Marry com muuuuita vodka

visual: Loira de cabelo curto, geralmente vestida de vermelho

sexualidade: Três expressivos e explícitos atos sexuais, duas vezes com o protagonista e outra com o namorado ou amante.


hobbie: Além de manipular as vítimas, Christine tem o costume habitual de filmar o cotidiano das mesmas para colecionar rolos de filmagens com seus respectivos nomes. Contudo, Christine passa as manhãs cuidando do seu salão de beleza e sua linha de cosméticos.

número de assassinatos, vítimas ou casualidades: 3 maridos e 1 namorado, todos assassinados.

capital acumulado: impossível de ser mensurado, mas seu rico patrimônio provém da herança de cada um de seus “falecidos” maridos.

situação final: embora o protagonista Gerard seja salvo pela figura que tanto aparecia em seus sonhos e alucinações (veja o filme para entender, mais um estímulo rs!), Christine também sai ilesa, em busca do seu próximo esposo.

Curiosidades: As semelhanças entre o roteiro de O Quarto Homem e Instinto Selvagem não são mera coincidência, basta olharmos a figura de uma femme fatale, um “escritor-detetive”, a sexualidade explícita, entre outros aspectos.  Nao obstante, o diretor tentou convencer Michael Douglas a ser um personagem bissexual – que pelo resultado vocês podem ver que a proposta foi veemente recusada. Para compensar Sharon Stone abraçou a personagem bissexual Catherine com muito vigor rs!

Finalmente, quem você acha que deveria ser a FEMME FATALE DA SEMANA que vem?

Femme Fatale

14 nov

Alguns aspectos da personalidade de mulheres perigosas no cinema são de fato amplamente distintos ou somente minuciosamente diferentes, no entanto basta se deleitar em frente a um filme por cinco minutos para reconhecer uma “mulher-fatal” e talvez até suas ambições. Ainda que Sharon Stone cujo personagem Catherine em Instinto Selvagem (Paul Verhoeven, 1992) mantivesse um caráter extremamente mais psicótico que o de  Barbara Stanwyck em Pacto de Sangue (Billy Wilder, 1944), que por sua vez era mais ambiciosa em termos de dinheiro, todas estão integradas na fascinante categoria das Femme Fatales (e que Femme Fatales!)

A figura da mulher-fatal se tornou popular em Hollywood na década de 40 e 50 em histórias de detetive geralmente que culminavam num relacionamento perigoso. O visual obscuro dos filmes e uso de sombras (derivado do cinema expressionista alemão e pós-guerra) é curiosamente um espelho psicológico dessas lindas musas da sétima arte que não carecem de imoralidade, ganância, prazer de manipular, articulação e, acima de tudo, persuação.

Observando suas características e perfil, poderíamos dizer de antemão que a repudiamos, que ela seria a persona que mais odiaríamos. Entretanto, durante duas horas diante de uma película com uma maravilhosa e sensual Femme Fatale, percebemos como é fácil nos apaixonar pelas razões erradas.

É com este prólogo que pretendo iniciar a partir deste momento uma homenagem semanal às célebres e conhecidas ou até subestimadas “Víuvas-Negras” – uma vez que preso em sua teia o ato de escapar é considerado heróico em filmes do gênero. Todavia – calma! – não iremos apenas postar um pôster semanal de uma femme fatale fazendo uma pose erótica em prol dos cinéfilos pervertidos! Pretendemos aqui realizar algo irreverente: mensurar as atitudes e hábitos da “mulher-aranha”. Como por exemplo, você se lembra a bebida preferida, o número de vítimas e o montante roubado, entres outras curiosidades da protagonista de o Ascensor para o Cadafalso (1958, Loius Malle) ou outro filme noir que lhe venha a cabeça??? Eu tenho curiosidade em descobrir até a marca de seus cigarros.

A partir de então estaremos abertos a sugestões e com certeza teremos sua Femme Fatale preferida em nosso catálogo. Hoje, não obstante, inaugurarei a “FEMME FATALE DA SEMANA”!

Téce

FEMME FATALE DA SEMANA…AINDA HOJE!

13 nov