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Vermelho como o Céu

16 abr

“O Azul é como sentir o vento bater em seu rosto ao andar de bicicleta – Mirco Balleri, no filme Vermelho como o Céu

Mirco Balleri é um garoto comum de 10 anos de idade que adora cinema e vive em uma pequena cidade italiana, nas proximidades de Pisa. Vive uma vida comum de um garoto nessa idade, quando em uma de suas peraltices resolve brincar com a arma de seu pai e um grave acidente faz com que perca grande parte de sua visão.

Nessa premissa de um garoto recém cego, acrescente também um fator histórico da Itália dos anos 70, em que crianças portadoras de deficiência visual eram obrigadas a estudar em escolas especiais, e por conta disso o garoto ainda é segregado do convívio com seus pais e amigos, para viver em um internato em Gênova. Pra ajudar um pouco mais o internato segue uma educação profissionalizante e limitada, pois o diretor da escola especial coloca regras rígidas de que a cegueira deve guiar o que a criança ainda poderá fazer da vida.

Este é o ponto de partida desse belo filme, que faz uma tentativa singela de tratar sobre superação com poesia. O garoto Mirco não abandona sua paixão por cinema, mas ao encontrar um gravador passa a colecionar e editar sons para montar histórias sonoras. Aprende que ao tremular uma bandeja consegue um som de trovão, ou que assoviar em uma garrafa remete ao vento e com o apoio de coleguinhas do internato começam a criar um mundo de novas possibilidades.

Em uma bela cena Mirco descreve a um menino cego de nascença, chamado Felice, sobre como seriam as cores. Segundo ele, o Azul é como sentir o vento bater em seu rosto ao andar de bicicleta; marrom é como o tronco de uma árvore. E o vermelho é o fogo; vermelho é como fica o céu no pôr do sol.

Enfim, não é apenas sobre superação que esta história conta, mas principalmente sobre a possibilidade de caminhos para não sentar à sombra da vitimização e colher as dores de amargura que isso pode trazer à alma. Auto-vitimização é um sentimento que cresce, e quanto mais vai sendo alimentado, passa a ser paralisante e pode nos deixar limitados à infelicidade. Aliás, por mais trágico que tudo possa ser sempre vai existir outro sentido, mas às vezes nos falta a pureza de criança pra acreditar que realmente é possível utilizá-lo. Detalhe, ainda, que o filme conta a história real de Mirco Mencacci, um dos mais importantes editores de som da indústria cinematográfica italiana.

Nos faz pensar como escolher o significado do Vermelho pode ser feito no caminho de uma eterna tragédia ou num belo recomeço com Céu ao nascer do sol…