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Pescador de ilusões

7 jul

Sua ilusão tinha se projetado além dela, além de tudo. Ela lançara-se ao seu sonho com uma paixão criadora, acrescentando-lhe incessantemente alguma coisa, enfeitando-o com todas as vigorosas plumagens com que deparava. Quantidade alguma de ardor ou de entusiasmo pode competir com aquilo que um homem pode armazenar em seu fantasmagórico coração.”  O Grande Gatsby – Francis Scott Fitzgerald

Infelizmente não é sempre que conseguimos a façanha de adormecer nossas projeções em sono profundo. Lembrei-me desse desafio ao ver a mais recente adaptação ao cinema do clássico O Grande Gatsby, de Fitzgerald.

Gatsby estava permeado por valores de requinte e glamour, que serviam como máscara para uma profunda superficialidade. O contexto da década de 20 criou um homem misterioso, que escondia com sua reclusão uma enorme insegurança e um grande desejo de ser amado por aqueles que o cercavam, em especial sua idolatrada Daisy.

O drama maior do personagem, tão bem interpretado por DiCaprio neste filme, estava em conseguir lidar com suas projeções, que não o permitiam ver a idealização equivocada que fazia do seu amor. De tão iludido, perdido mesmo, o infeliz menino foi incapaz de perceber a futilidade que estava travestida de beleza.

Sinto que existe um mistério inexplicável de bem-aventurança no percurso de quem sabe controlar suas expectativas e perceber suas projeções. Parece incrível, pois é mesmo quando abandonamos as fantasias que tudo que é para ser chega como se sempre estivesse estado lá. E aparece o que uma busca desesperada nunca conseguiria alcançar.

Em tempo: nós podemos estar olhando sem nada enxergar. Criar um castelo de areia é uma fuga  tentadora, mas que se torna tragicamente cruel com a inevitável chegada da onda do mar.

Publicado orinalmente em http://somdaletrah.wordpress.com/2013/07/05/pescador-de-ilusoes/