A ÚLTIMA SEDUÇÃO

27 nov

(não vou reler o texto antes de postar pq senão não postarei, somente pelo motivo que eu odeio laptops e estou diante de um. Meu pc está com defeito e eu estou quase dando um lance numa maquina de escrever no mercado livre – fim do desabafo)

Observe bem este titulo deste filme, qual é a primeira coisa que vem a sua cabeça? Bom, na minha, antes de vê-lo, foi a sessão Intercine dos sábados a noite na Globo ou no máximo um “Corujão”. Mas eu me enganei, quem não viu também se enganou. The Last Seduction (John Dahl, 1994) é um dos melhores filmes noir de todos os tempos e ouso dizer que também é um dos mais desapreciados porem injustiçado,  deveria estar no 10 de todos os críticos nesta década (anos 90) – tudo bem, é uma obra-prima bem atrás de Bons Companheiros, Pulp Fiction e todos os outros que as pessoas nem viram mas dizem que é um dos melhores porque já é clichê.

Alguém que leia a sinopse de Last Seduction pode presumir que o filme não deve passar de um thriller noir como tantos outros com uma historia similar a de Pacto de Sangue. Mas são os detalhes do roteiro e vigor dos personagens que permite desagrega-lo do lugar comum e deixa-lo completamente único. A história é sobre essa filha da puta (pessoal do blog – posso usar palavrões? Bom, não é como se eu fosse publicar isso no NY Times) que trabalha numa companhia de seguros e convence o marido, um médico em decadência (Bill Pullman), a vender drogas no mercado negro, arrecadando uma quantia de 1.000.000 de dólares, o suficiente para fazer qualquer Femme Fatale aceitar levar um tapa do marido numa discussão e fugir sorrateiramente em seguida com a maleta com seu rico conteúdo para uma cidade do interior.

Ao consultar o advogado canastrão a nossa protagonista Bridget- interpretada por Linda Fiorentino – resolve ficar sossegada por algum tempo nessa cidade com o pseudônimo de Kroy, arruma um emprego enquanto seduz todos em sua volta assumindo novamente sua persona diabólica para persuadir seu novo amante (Peter Berg) a fazer coisas que a primeira instância ele recusaria. Mas vocês sabem como é…uma vez na teia da viúva negra não tem saída. E aí a coisa desanda…para as vítimas claro!

Nos estudos dos filmes noir a mulher é sempre retradada nos espelhos de forma a representar suas personalidades. Neste caso, seria Peter Berg uma vítima, com personalidade opaca mas com algo omisso? E sobre a presença feminina na imagem? Fica a deixa para o próximo post...

 

O filme é concebido sem o menor tipo de censura, pouco preocupado com a aceitação dos estúdios e da crítica, o que é raro, principalmente nos anos 90. A pouca interferência dos produtores e destreza e perspicácia com o uso de câmeras do diretor faz o filme fluir junto com as memoráveis atuações, uma das melhores que já vi. Observe o enquadramento logo acima para ter ideia do nivel de criativiade e detalhismo.

Em relação aos personagens, Linda Fiorentino é o tipo de Femme Fatale que se assume desde o começo do filme como tal, aceitando sua condição de libidinosa e manipuladora com o maior prazer. Ela é a mesma do começo ao fim, ardilosa e cruel do começo ao fim, sexualmente promíscua (masturbando seu amante no bar, realizando sexo explicito em plena saída de lugares públicos), repugnante e ao mesmo tempo apaixonante do começo ao fim, brilhante e inteligente do começo ao fim. E o melhor de tudo, seu jeito mórbido de se entreter é tão divertido quanto o de Sharon Stone escrevendo seus livros em Instinto Selvagem.

Em relação aos outros personagens, Bill Pullman é um ótimo antagonista na maneira como ele tenta jogar com as mesmas peças de Linda, rastreando a sua ex-mulher, chegando até a ser um alivio cômico. E o amante Peter Berg que se apaixona perdidamente e rapidamente pela morena  Fatale, é mais reservado, o que equilibra todo este triangulo amoroso, mas Berg oculta um segredo que será usado contra o mesmo com muita astúcia, e vocês já sabem por quem.

Concluindo, espero aos que não tenham visto que percam seus preconceitos mesmo que a sua locadora apenas tenha o filme empoeirado em VHS (eu tive que encomendar um dvd da Austrália só porque era Widescreen, mas eu sou louco mesmo rs; o filme já foi lançado em DVD no Brasil. Enfim,  empolgado por este post, postarei em seguida a FEMME FATALE DA SEMANA. E Caso vejam o filme e discordarem de mim, ficarei muito feliz pois ele estará menos fadado ao esquecimento.

PS: apesar de o filme ter sido prestigiado pelos críticos na época, a sua arrecadação nas bilheterias foi tão ínfima que os produtores resolveram vender às emissoras de televisão antes mesmo da campanha para as principais premiações como o Oscar, o que invalidou a praticamente garantida nomeação de Linda Fiorentino como melhor atriz.

Des hommes et des dieux – De deuses e homens.

18 nov

 

Fan Bingbing, a modelo Doutzen Kroutz e a apresentadora de TV Tatiana Laurens antes da exibição de 'Des hommes et des dieux', em Cannes.

Antes de tudo devo declarar que tenho como sonho participar do Festival de Cannes, para mim a mistura perfeita entre o Glamour e a inventividade do cinema. Em especial pois, diferentemente do Oscar, qualquer diretor desconhecido e dos quatro cantos do globo terrestre pode inscrever seu filme e por ele ser selecionado para a mostra. E enquanto o acesso é permitido a todos, também temos o esperado momento mágico do tapete vermelho, quando celebridades desfilam os mais belos vestidos Oscar de la Renta e Armani para o deleite de toda moça cinéfila.
 
  
      Dizem que para alcançar o sonho é preciso ir de vagar, com um passo de cada vez, assim o meu primeiro foi prestigiando com minha amiga Simonetta nossa imitação tupiniquim, o festival de Gramado. Podem dizer que é extremamente mais brega e com qualidade cinematográfica duvidosa, mas também é super divertido, com festas bacanas e com palestras e coletivas abertas a todos. Assim sendo, já demos nosso primeiro passo para quem sabe estarmos em Cannes muito em breve. 

O macaco estava divulgando seu filme em Gramado.

        Ok, voltando ao mundo real, escreverei sobre o fantástico entre “Des hommes et des dieux”, do cineasta francês Xavier Beauvois, premiado neste ano em Cannes com o Grande Prêmio do Júri, uma espécie de segundo lugar honroso. O drama é baseado em fatos reais, ocorridos em 1996, quando um grupo de oito monges franceses viveu o confronto de sua fé nas montanhas da Argélia em domínio muçulmano. 

         O relato é delicado e profundo, quase todo focado nos divergentes pilares da fé de cada um dos monges, cuja difícil decisão de resistir ou não às constantes ameaças de fundamentalistas islâmicos era balanceada pelo instinto vital de sobrevivência.  A relação com a comunidade local traz à tona questões sobre a religiosidade em si em confronto direto com princípios maiores de dedicação ao próximo, e por este rumo vamos percebendo como podemos tirar o melhor de nós mesmos ao passar por momentos de crise e conflito.

          Destaque para a belíssima cena com o “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky em trilha enquanto se foca nos olhos cheios de lágrimas de cada um dos monges. Bonitos momentos também na fotografia e nas interpretações de Michael Lonsdale ( irmão Luc) e Lambert Wilson de Matrix Reloaded ( irmão Christian). Em tempos em que a religião cristã se tornou um pacote de doutrinas e condutas, com os legalismos dos fariseus “convertidos à fé” e os dízimos moldando direitos e recompensas, se torna gratificante encontrar uma reflexão que olhe para o envangelho com a simplicidade da mensagem original de “amor ao próximo como a si mesmo”. Des hommes et des dieux  já é minha aposta para o Oscar de filme estrangeiro, apesar de não saber se será escolhido para estar entre os 5 candidatos, nem seus concorrentes.

Curiosidades:

  • O Festival de Cannes acontece por 12 dias em todo mês de maio;
  • É possível passar pelo tapete vermelho em gramado, só basta comprar o ingresso para a noite da premiação;
  • Pessoas com intenções bacanas desenvolvem trabalhos sérios pelo mundo. Conheça o Projeto Nigéria caso se interesse pelo tema: http://www.caiofabio.net/canal.asp?canal=00028

Femme Fatale da Semana

18 nov

PERSONAGEM: Christine

Filme: O Quarto Homem (De Vierde Man, Paul Verhoeven, 1983). País de origem: Holanda.


Antes de tudo, gostaria de recomendar a quem nao viu esta obra-prima de Paul Verhoeven, realizada antes do grande diretor de Instinto Selvagem e Vingador do Futuro deixar a Holanda, seu país de origem.

Perfil da personagem: A ardilosa Christine é metaforicamente já retratada no início do filme como uma literalmente viúva-negra a caminho de sua presa, em contraste com as aparições oníricas de Maria – sim, a mãe de Jesus – por parte do protagonista. Este último, Gerard, um escritor obcecado por idéias de morte que sofre de constantes alucinações sejam elas de caráter mórbido ou religioso e, apesar de sua homossexualiadade, é seduzido pela rica viúva Christine durante uma de suas palestras e é persuadiado por uma chantagem emocional a passar uns dias na mansão desta Femme Fatale. Misteriosamente Christine já teve três maridos “falecidos”, seria Gerard O Quarto Homem? Enfim, vamos logo com as estatísticas:

drink favorito: Bloody Marry com muuuuita vodka

visual: Loira de cabelo curto, geralmente vestida de vermelho

sexualidade: Três expressivos e explícitos atos sexuais, duas vezes com o protagonista e outra com o namorado ou amante.


hobbie: Além de manipular as vítimas, Christine tem o costume habitual de filmar o cotidiano das mesmas para colecionar rolos de filmagens com seus respectivos nomes. Contudo, Christine passa as manhãs cuidando do seu salão de beleza e sua linha de cosméticos.

número de assassinatos, vítimas ou casualidades: 3 maridos e 1 namorado, todos assassinados.

capital acumulado: impossível de ser mensurado, mas seu rico patrimônio provém da herança de cada um de seus “falecidos” maridos.

situação final: embora o protagonista Gerard seja salvo pela figura que tanto aparecia em seus sonhos e alucinações (veja o filme para entender, mais um estímulo rs!), Christine também sai ilesa, em busca do seu próximo esposo.

Curiosidades: As semelhanças entre o roteiro de O Quarto Homem e Instinto Selvagem não são mera coincidência, basta olharmos a figura de uma femme fatale, um “escritor-detetive”, a sexualidade explícita, entre outros aspectos.  Nao obstante, o diretor tentou convencer Michael Douglas a ser um personagem bissexual – que pelo resultado vocês podem ver que a proposta foi veemente recusada. Para compensar Sharon Stone abraçou a personagem bissexual Catherine com muito vigor rs!

Finalmente, quem você acha que deveria ser a FEMME FATALE DA SEMANA que vem?

Paper Heart

16 nov

Então… Começo a achar que sou mulherzinha mesmo no gosto para filmes. Quando tem romancinho, então, fico empolgada. Mas vamos tentar ligar o modo crítico para Paper Heart, dirigido por Nicholas Jasenovec, com Charlene Yi e Michael Cera.

Não começa com Era uma vez – mas poderia – mostrando a jornada pelos EUA da jovem atriz / musicista em sua busca para compreender o Amor (que ela diz não acreditar na existência) e registrar tudo em formato de documentário. Na companhia do seu diretor Nicholas (interpretado por outro carinha, Jake M. Johnson) e da equipe de filmagem, Charlene vai a Nashville, Los Angeles, New York, Las Vegas, e finalmente a Paris em busca de manifestações e provas da existência do amor. A graça vem do clima de não-sei-se-é-verdade que acompanha o filme, inclusive sobre o romance da própria protagonista. A verdade é que eles namoraram um tempão, mas parece que c’est fini.

Para os que amaram Juno, não se empolguem, porque não se compara, apesar do queridinho Michael Cera aparecer interpretando ele mesmo. Tá certo que tem um ritmo interessante com o formato câmera na mão + depoimentos (provavelmente reais) + roteiro simples + marionetes fofas, mas às vezes dá vontade de socar o nariz da japa-americana (ou sino-americana, sei lá) Charlene. Explico: pô, ela fica tão ensimesmada ao encontrar um par, tem um ataque de jacuzice e quase põe tudo a perder. Tolinha.

Para a redenção do filme, posso dizer que tem aquela atmosfera de frescor e crocância que empolgam a moçada e deixam a moçoila aqui se achando muito sem graça por não tocar acordeom ou não saber assoviar. Hmpf. Mas recomendo para uma tarde de domingo com as amigas, porque namorados geralmente não têm paciência para falar ou ouvir de Amor. Ponto pro meu, que baixou, assistiu e gostou.

Segue o trailer, pra quem ainda não viu. Cuidem-se e não se comportem.


Fama x Fama

15 nov

Fama, de Alan Parker (The Wall, Evita), é um dos filmes mais queridos de nossa geração. Lançado em 1980, foi o “piloto” de uma série de TV que ainda deve passar em canais como o TCM ou o Boomerang. O filme e a série seguem o dia-a-dia de um grupo de alunos da New York City High School for the Performing Arts, uma escola que forma atores, cantores e músicos, um cotidiano que eu conheço – afinal, trabalhei quatro anos como fotógrafo de uma companhia de dança.

Fama não é um grande filme – sofre com um roteiro arrastado – mas tem cenas memoráveis. O caótico almoço na lanchonete ao som de Hot Lunch, os alunos invadindo a rua e dançando sobre os carros ao som da música tema, Remember my name, a belíssima I sing the body electric na cena final.

Ok, ok, eu entendo que um filme de trinta anos atrás, com galãs e gatinhas hoje quase sexagenários, com figurinos precários e que não foi rodado em 3D e nem tem som Dolby Digital 7.1 teria pouco apelo junto a uma nova geração criada na base da edição rapid-fire e das cores ultrassaturadas dos clipes da Britney Spears e Avril Lavigne. Então não me surpreende que algum executivo da MGM tenha tido a grande idéia de refazer o filme – afinal, nessa época de High School Musicals a torto e a direito, como não poderia o remake de Fama ser um sucesso estrondoso de bilheteria?

Mas Kevin Tanchaoren não é Alan Parker. Desde a primeira tomada parece que o diretor ficou com medo de impor sua visão própria ao remake, e repete as técnicas usadas por Parker para dar um tom de documentário ao filme: câmera na mão, tomadas de pessoal ensaiando… Por alguns minutos tive a impressão que o remake seria uma espécie de homenagem ao original.

Mas Kevin Tanchaoren não é Alan Parker. Os personagens de 2009 não parecem ter nenhum sonho, nenhuma ambição, nenhum desejo. Onde está o sex appeal do Leroy? Onde estão o instinto de sobrevivência de Ralph Garci, a presença magnética da Coco Hernandez, Montgomery descobrindo e chegando a termos com sua homossexualidade? Os personagens de Parker bem ou mal capturaram o espírito de uma época  – e se os de Tanchaoren também representam uma geração, essa geração deve ser ingênua, assexuada e incapaz de sonhar.

Kevin Tanchaoren não é Alan Parker. Confrontado com um clássico, Tanchaoren tenta recriar algumas cenas – o almoço na cantina (cadê Hot Lunch?), Coco cantando Out here on my own ao piano, até mesmo a tentativa de suicídio de um dos bailarinos no metrô. O que poderia ser uma homenagem se apresenta como farsa e serve tão-somente para mostrar o abismo que separa os dois filmes e seus respectivos diretores. E quando eu achei, aliviado, que ao menos a música tema iria escapar ao liquidificador pop…

Me despeço com os trailers das duas versões e um pedido aos executivos de Hollywood: por favor, respeitem a nossa infância!

P.S.: as coreografias do remake são breguetérrimas.

P.P.S: a atriz que seria, supostamente, a melhor bailarina da escola é péssima. Dá até pena de assistir…

P.P.P.S.: no remake, Brad e Janet não aparecem e ninguém dança o Time Warp.

Femme Fatale

14 nov

Alguns aspectos da personalidade de mulheres perigosas no cinema são de fato amplamente distintos ou somente minuciosamente diferentes, no entanto basta se deleitar em frente a um filme por cinco minutos para reconhecer uma “mulher-fatal” e talvez até suas ambições. Ainda que Sharon Stone cujo personagem Catherine em Instinto Selvagem (Paul Verhoeven, 1992) mantivesse um caráter extremamente mais psicótico que o de  Barbara Stanwyck em Pacto de Sangue (Billy Wilder, 1944), que por sua vez era mais ambiciosa em termos de dinheiro, todas estão integradas na fascinante categoria das Femme Fatales (e que Femme Fatales!)

A figura da mulher-fatal se tornou popular em Hollywood na década de 40 e 50 em histórias de detetive geralmente que culminavam num relacionamento perigoso. O visual obscuro dos filmes e uso de sombras (derivado do cinema expressionista alemão e pós-guerra) é curiosamente um espelho psicológico dessas lindas musas da sétima arte que não carecem de imoralidade, ganância, prazer de manipular, articulação e, acima de tudo, persuação.

Observando suas características e perfil, poderíamos dizer de antemão que a repudiamos, que ela seria a persona que mais odiaríamos. Entretanto, durante duas horas diante de uma película com uma maravilhosa e sensual Femme Fatale, percebemos como é fácil nos apaixonar pelas razões erradas.

É com este prólogo que pretendo iniciar a partir deste momento uma homenagem semanal às célebres e conhecidas ou até subestimadas “Víuvas-Negras” – uma vez que preso em sua teia o ato de escapar é considerado heróico em filmes do gênero. Todavia – calma! – não iremos apenas postar um pôster semanal de uma femme fatale fazendo uma pose erótica em prol dos cinéfilos pervertidos! Pretendemos aqui realizar algo irreverente: mensurar as atitudes e hábitos da “mulher-aranha”. Como por exemplo, você se lembra a bebida preferida, o número de vítimas e o montante roubado, entres outras curiosidades da protagonista de o Ascensor para o Cadafalso (1958, Loius Malle) ou outro filme noir que lhe venha a cabeça??? Eu tenho curiosidade em descobrir até a marca de seus cigarros.

A partir de então estaremos abertos a sugestões e com certeza teremos sua Femme Fatale preferida em nosso catálogo. Hoje, não obstante, inaugurarei a “FEMME FATALE DA SEMANA”!

Téce

FEMME FATALE DA SEMANA…AINDA HOJE!

13 nov

ROCKY HORROR GLEE SHOW

28 out

Quem leu os posts anteriores do blog, especificamente os da Hali, sabe que esta semana a comédia-musical Glee não se limitou a homenagear ou parodiar celebridades do mundo da música, mas incursou-se naquele que é o mais cultuado musical de todos os tempos: ROCKY HORROR PICTURE SHOW. (Eu veria qualquer coisa de Rocky Horror mesmo que fosse em “Hannah Montana” mas ontem esperei antecipadamente pelo episódio de Glee!)

Para quem nunca viu esta pérola, “Rocky” é uma adaptação de um musical, influenciado explicitamente por filmes de ficção científica e de horror-b, dirigido em 1975 por Jim Sherman; e conta basicamente a história absurda de um casal recém-casado que em meio a uma tempestade busca refúgio no mausoléu do doutor Frank N’ Furter, um travesti com um plano ousado e depravado de criar o mais perfeito humano aos moldes de Charles Atlas – o Rocky do título.

Bem polêmico, o filme foi mal recebido na época de seu lançamento, tendo sua temática homossexual ofuscando as qualidades criativas da obra. Demorou, no entanto Rocky Horror Picture Show começou a ganhar certa notoriedade a partir de “midnight sessions” em 1977. Hoje, “Rocky” tem o recorde do filme que ficou mais tempo em cartaz – sendo ainda assistido por multidões que participam das sessões lotadas em plena meia-noite para cantar “Time Warp”.

E o episódio de Glee…

O cadeirante Dr. Scott no filme é mais uma das vítimas de Frank N' Furter

Qual o diagnóstico Dr. Scott?

Bem, antes do diagnóstico do Dr. Scott – que por sinal é tio de Eddie – que é namorado da tapdancer Columbia e que teve parte do seu cérebro removida para o Rocky e acabou morrendo e virando a janta da cena em que…ESQUECE!!! Rocky Horror não é racionalizável, é non-sense por natureza e parte da diversão é enaltecida pelo próprio fato da película ser auto-satírica.

O seriado se absteve dos detalhes da trama, focando nos atos musicais. Se o público aprovou esta versão? O fato do seriado ter marcado ontem na audiência 11 milhões de espectadores adultos é extraordinário – mais do que a média de audiência de seriados carros-chefe da emissora como “House M.D” (FOX)-, o que por si só já valida o quão ávida a expectativa que a homenagem de “Rocky Horror” fomentou.

Em relação ao plot do seriado, o mesmo foi somente uma desculpa para re-encenar alguns dos números musicais mais icônicos do filme. Na história de Rocky Horror Glee Show (próprio nome do episódio), para surpreender e se aproximar da amada e compromissada Emma, o produtor do grupo musical Glee, Will, resolve propor que a turma reproduza o tal musical, sabendo do fanatismo de Emma pelas sessões noturnas de Rocky Horror.

"Não, não fiz o filme "Precious"!!!!

As mais conhecidas músicas são de fato encenadas pelo vasto grupo que compõe Glee. O grande defeito consistiu na escolha de uma mulher para interpretar o favorito “travesti da transsexual Transylvania” – Dr. Frank n’ Furter, uma escolha mais segura para a televisão aberta, sem dúvida,  mas que infelizmente enfraqueceu os números nos quais a personagem gorducha Mercedes Jones esteve presente. Todavia Mercedes conseguiu o papel de transsexual, mesmo à controvérsias do grupo, ao mostrar sua auto-confiança devido a canção do filme que ela cita com convicção:  “Dont dream it, be it” (Não sonhe, seja) – a intertextualidade foi muito bem empregada.

Concluindo, apesar de umas mal-sucedidas encenações como a de “Time Warp” (que revela-se um grande anti-clímax) o seriado merece notoriedade pela criatividade de inserir e homenagear o filme peculiar que é Rocky Horror. Além disso, algumas sequências ganharam muito vigor devido as ótimas performances memoráveis como esta genial interpretação de Janet pela personagem Emma (Jayma Mays) cantando “Touch-A, Touch-A, Touch Me (interpretada originalmente no filme por Susan Sarandon)”:

***Confira o vídeo antes que tirem do ar e porque deu muito trabalho para fazer o upload rs!

ou baixe o clipe através do link:

http://www.megaupload.com/?d=NTW5W7RD

Nostalgia da Luz

22 out

Pois estamos às vésperas das eleições e do início da Mostra de Cinema de Sampa, então me deparei com uma dúvida cruel sobre qual dos dois temas abordaria com alguma citação cinematográfica no blog. Sem me decidir, resolvi escrever algo que os juntasse de uma vez, assim falarei sobre o filme do chileno Patrício Guzman, o belíssimo Nostalgia de La Luz.

Antes com as devidas introduções, Guzmán foi o corajoso cineasta que fez um documentário bacana demais chamado “La Batalla de Chile”, que conta elegantemente sobre o 11 de setembro Chileno, quando ocorreu a trajetória do famigerado Pinochet para tomar o poder das mãos de Allende.

“Um país, uma região, uma cidade, que não tem cinema documental, é como uma família sem álbum de fotografias”. Patrício Guzman

Devo dizer que foi com a mesma emoção que me prendi aos relatos deste novo Nostalgia da Luz. O filme busca relatar em documentário como o deserto do Atacama é o cenário perfeito para que existam diversos centros científicos que realizem a observação do universo através de telescópios, pois o céu límpido e transparente da região permite que se ambicione desvendar ali os mistérios sobre o cosmos, ou desenvolver uma comunicação com seres evoluídos de galáxias muito distantes. Em contrapartida, paradoxalmente, também é o local ideal para que a ditadura de Pinochet tenha enterrado em valas os corpos de desaparecidos políticos, pois o deserto guarda em si os mistérios e o acúmulo de poeira das ruínas de minas.

A linguagem poética nas analogias e referências estéticas do deserto é de uma inteligência invejável. Uma cena extraordinária acontece em uma tomada que parece ser da Lua, mas que em panorâmica percebemos ser de um crânio humano. Com muitas outras referências simples e profundas, nada demagogas, o filme vai tecendo a trajetória do homem que busca se esconder de si mesmo e de sua história ao se focar em algo muito distante, a anos-luz até, para assim deixar de olhar para suas próprias feridas. O Atacama revelado pelos olhos do cineasta se torna a memória viva de um país que não quer enxergar o seu próprio passado até recente.

O que isso tem a ver com nossas urnas vindouras, afinal? Enfim, de repente achei interessante constatar que brasileiro e chileno sejam farinha do mesmo saco, já que nossas escolhas políticas também só se fundamentam em um esquecimento vital do nosso passado político…

Quanto à mostra, o filme estará em exibição em diversas salas, assim o considere super recomendado caso esteja pela cidade de São Paulo na próxima semana.

Aonde assistir na mostra?

• Livraria Cultura 1 Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2073, Cerqueira César / CEP: 01411-000. / TEL.: 3285-3696

25 Out, 14:00

• Belas Artes – Sala 2 Rua da Consolação, 2423, Consolação / CEP: 01302-001. / TEL.: 3258-4092

31 Out, 16:10

• Unibanco Arteplex 2 Shopping Frei Caneca Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso, Consolação CEP: 01307-001

23 Out, 17:10

• Cinema SABESP Rua Fradique Coutinho, 361, Pinheiros – CEP: 05416-101. / TEL.: 5096-0585

24 Out, 17:40

Soltando a voz

16 out

Hoje vou falar de minha mais recente experiência com Glee, a série coqueluche do momento. Antes de tudo quero deixar claro que quando assisti este seriado pela primeira vez, assim meio sem querer, entre um “Simpsons” e outro, me identifiquei logo de primeira. Os motivos são óbvios e concretos:

  1. Sempre gostei de séries no estilo Dawnsons´s Creek;
  2. Sempre fui nerds;
  3. Sempre cantei em Coral e até hoje faço parte de um.

Daí que o fato de ser uma estória bobinha e sem muita profundidade me ajudou a manter o interesse, pois ao ser da categoria “novela das oito” faz com que não precisemos acompanhar muito para saber o que está acontecendo. Enfim, a vida seguia normal e não é que, assim sem esperar, tive ontem uma grande surpresa ao entrar no estúdio aonde faço um curso de dublagem: naquela quinta-feira dublaríamos Glee!

O Episódio escolhido foi o 11°, aquele em que Rachel é “montada” por Kurt, e que tivemos a emocionante apresentação de ‘Imagine’, que juntou a linguagem de sinais e a cantoria do pessoal. Fiz na maior parte do tempo a voz da Quinn, o que foi até bom, já que temos um timbre meio parecido.

Quase não precisei ler o roteiro, pois já lembrava bem a intenção das falas e a imagem dos diálogos, o que em dublagem ajuda bastante. Por conta disso acabei conseguindo acompanhar até o Timecode e entrar em uma (quase) boa sincronia labial. O mais difícil para mim costuma ser decorar as falas para que não pareçam artificiais, mas neste caso em específico ficou mais fácil. O mais especial foi ter a sensação de estar dando voz àquela menina que eu já conhecia tão bem, que eu sabia estar sofrendo por não saber como lidar com o filho.

Ao final ainda fizemos a interpretação de duas canções do episódio:  True Colors (Cindy Lauper) e Papa Don´t Preach (Madonna). No seriado a primeira é cantada por Tina e a segunda por Quinn, assim acabei optando cantar Madonna/Quinn.  Acho que ficou bacana, vou postar aqui a original e em breve espero poder ter a gravação para mostrar para vocês.

Mas e vocês gostam de assistir Glee dublado na FOX?

Outras Curiosidades:

  • Glee passa dublado na Fox. A versão é feita no estúdio Dublavídeo, em São Paulo;
  • A Fox foi um dos primeiros estúdios a providenciar os filmes nas “duplas-versões”, por volta de 1920.
  • Glee Rocky Horror Picture Show

    No dia 26 de Outubro Glee faz uma homenagem ao fantástico musical Rocky Horror Picture Show de 1975.  Contará com a presença de atores do musical original.

  • Rachel e Jessie formavam um par romântico como protagonistas da peça Spring Awakening, um musical de grande sucesso na Broadway.
  • Brittany é dancarina profissional e já trabalhou com Beyoncé.
  • O elenco de Glee já foi à Casa Branca cantar para o presidente Obama.