Splice – A nova espécie (2009) ou Como quebrar todos os códigos de ética na pesquisa genética em um só filme.

18 abr

O filme de Vicenzo Natali (Cube, e o segmento Quartier de la Madeleine de Paris, Je t’Aime) é perturbador desde o início, quando o casal de cientistas Elsa e Clive (Sarah Polley, de Go – Vamos Nessa, e o ótimo Adrien Brody, de O Pianista) executam o “parto” de uma criatura disforme desenvolvida no laboratório; emocionada, Elsa afirma: “Ela é linda”.

A pesquisa com as criaturas Fred e Ginger degringola num banho de sangue apavorante e o laboratório Newstead Pharmaceutics decide parar de investir em novas espécies para se concentrar em proteínas comercializáveis para o tratamento de doenças.

Seguindo o fluxo de imprudências tecnológicas o casal decide desobedecer as diretrizes da empresa e utiliza DNA humano combinado a outros animais para criar um novo experimento que resulta no nascimento de uma fêmea humanóide batizada de Dren. Aí o clima de horror vai se instalando à medida que Elsa começa a cuidar de Dren como uma mãe confusa e perturbada. A pequena cresce (vertiginosamente rápido), deixa de parecer com um bicho de estimação para adquirir sedutoras formas femininas, e os distúrbios morais dos seus criadores vão ficando mais evidentes. Aí é assistir para conferir, mas se pode adiantar que o estômago faz três tipos de engulhos a cada avanço da trama. Não em virtude das cenas de susto, típicas do gênero Terror, mas justamente das cenas da convivência doentia dos três protagonistas. Neste terror não há a figura do monstro, mas a transformação assustadora da inocência.

O bacana do roteiro deste filme, recomendado pelo cultuado escritor William Gibson via Twitter, reside em 3 tópicos:

  • Discussão sobre a ética na Ciência: quais os limites para a pesquisa genética? Quais as implicações morais de se utilizar DNA humano ou animal? A moralidade, representada por Clive, é fraca e dominada pelo impulso avassalador da curiosidade científica e dos interesses pessoais de Elsa.
  • Interferências dos interesses privados no rumo da Ciência – a Ciência não é neutra, mas é política, é econômica e é impregnada de valores humanos.
  • A insistência da insana Elsa em registrar meticulosamente o “experimento” mesmo nas situações mais críticas, dando um toque de cartesianismo cruel à trama; ela segue o método científico, apesar de não seguir nenhum código de ética.

Enfim, recomendo pipoca com um antiácido potente para acompanhar, além de uma mão firme para segurar. Segue o trailer, mas achei que o clima de sustos em série não corresponde ao filme. Voilà.

http://youtu.be/t6o_Vl2f07Q

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